museu de arte popular

Avatarfechado em Belém mas aberto aqui

Ministro da Cultura reafirma a decisão de instalar o Museu da Língua no Museu de Arte Popular

Em entrevista no Jornal de Letras de ontem e em declarações ao Público (ver artigo), António Pinto Ribeiro volta a insistir na instalação do Museu da Língua no Museu de Arte Popular ao mesmo tempo que admite reavaliar o processo:
Anúncio no final de uma audição na Assembleia da República

Ministro da Cultura vai receber movimento cívico de defesa do Museu de Arte Popular

17.06.2009 - 17h38

Os responsáveis pelo movimento cívico de defesa do Museu de Arte Popular (MAP) vão ser recebidos pela tutela da Cultura para discutir o futuro daquela entidade museológica, revelou hoje o ministro José António Pinto Ribeiro. No final de uma audição na Assembleia da República, o ministro referiu que o grupo de cidadãos que se tem mobilizado em defesa do MAP pediu na terça-feira uma audiência, mas não especificou quando será o encontro.

"Nós estamos dispostos a fazer uma reavaliação, a falar com as pessoas. É preciso compreender que não podemos viver num regime de paralisia dos processos de realização daquilo que são os propósitos de um governo legitimamente eleito. Não podemos pôr isso em causa", sublinhou Pinto Ribeiro.

O futuro do Museu de Arte Popular foi um dos assuntos que dominou hoje a última audição parlamentar de Pinto Ribeiro nesta legislatura.

Perante as questões dos deputados do PSD, PCP e Bloco de Esquerda sobre esta matéria, José António Pinto Ribeiro reafirmou que o Museu Mar da Língua será criado no edifício onde antes funcionou o MAP e que este é um processo que herdou da sua antecessora, Isabel Pires de Lima.

Ainda assim, não retirou importância à discussão em torno do espólio do MAP, que está actualmente depositado no Museu Nacional de Etnologia, e em torno da noção de arte popular e de "craft design", que utiliazam elementos populares e artes manuais. "O debate público chega muitíssimo tarde, mas não quer dizer que não seja justo e oportuno", referiu o ministro da Cultura.

Em defesa do MAP

O movimento cívico de defesa do MAP integra nomes como a historiadora Raquel Henriques da Silva, a artista plástica Joana Vasconcelos, Catarina Portas e Rosa Pomar. No sábado, este movimento cívico organiza um colóquio em frente ao edifício que albergou o Museu de Arte Popular, em Belém.

O encontro, que pretende debater a importância da existência de um Museu de Arte Popular, contará com as participações de Raquel Henriques da Silva, Rui Afonso Santos, Vera Alves, João Leal e Alexandre Pomar.

Esta iniciativa junta-se a outras acções de defesa daquele museu organizadas por este grupo de cidadãos, como o lançamento de uma petição pública e a entrega ao ministro da Cultura de um pedido de reabertura do processo de classificação do edifício do Museu de Arte Popular. No dia Internacional dos Museus, numa acção de protesto, foi bordado um lenço de namorados e posteriormente pendurado numa das fachadas do edifício do museu.

Público, Última Hora, 17.06.2009


Jornal de Letras, Artes e Ideias, 17 Junho 2009, p. 14 (entrevista de Maria Leonor Nunes e Luís Ricardo Duarte).

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Catarina Portas no Semanário Económico



(...) Assumiu a salvação do Museu como causa

Sim. Estou muito envolvida nisso, em evitar que o Museu da Língua destrua o Museu de Arte Popular. Não nos opomos ao Museu da Língua, bem entendido. Acho que é uma excelente ideia, acho é que ele não deve ser colocado ali. O Museu de Arte Popular é um museu e deve conservar uma parte histórica, porque é um dos poucos museus de raiz em Portugal para determinado espólio e tem muitos trabalhos de muitos artistas modernistas portugueses daquela época, muito interessantes e alusivos ao país. Quando digo que o edifício é o todo é porque foi mesmo construído como um todo e achamos que parte disso se deve manter.

(...)

Quando as senhoras da loja do MoMa, trazidas pelo Ministério da Cultura, para investigar o design, ficam babadas em frente às gamelas de madeira talhadas numa só peça por artesãos, e acham aquilo uma peça de design deslumbrante e querem levar a Nova Iorque, tenho vontade de lhes dizer: "Pois é. O mesmo ministério que vos trouxe é aquele que quer acabar com o Museu de Arte Popular". Chamo a isso parolice. Às vezes há um alto grau de parolice nas pessoas que nos comandam. Estão todas deslumbradas quando se fala em Nova Iorque e não percebem onde está o seu potencial.

Catarina Portas em entrevista à revista Outlook (suplemento do Semanário Económico), 13 de Junho de 2009.



Gamela portuguesa de madeira. Imagem © Feitoria
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Colóquio público sobre o MAP no próximo sábado, dia 20 de Junho

Catarina Portas, Joana Vasconcelos, Rosa Pomar e Raquel Henriques da Silva anunciam uma nova acção a favor do Museu de Arte Popular

O Museu essencial e incómodo: As razões de um protesto: fala quem sabe sobre o Museu de Arte Popular

20 de Junho a partir das 16h frente ao MAP
 
Após uma acção pública de protesto, bordando um lenço de namorados, no dia dos Museus; após a entrega de um pedido de reabertura do processo de classificação do edifício do MAP ao Ministro da Cultura (até ao momento sem resposta); após o lançamento de uma petição pública online em defesa do MAP (quase nas 4.000 assinaturas em 15 dias); após a criação de um blog que tem recolhido informação, documentos e depoimentos de vários especialistas e estudiosos sobre este tema; o grupo dinamizador da campanha cívica a favor da reabertura do Museu de Arte Popular decidiu organizar um  colóquio público interdisciplinar sobre a história e a importância do MAP.

Acontecerá no próximo sábado dia 20 de Junho, a partir das 16h00, diante do Museu de Arte Popular e contará com as intervenções de oradores especialistas de história de arte, antropologia e crítica de arte. 

Temas a abordar: 

Do Pavilhão da Vida Popular ao Museu de Arte Popular - o edifício de 1940 e a sua adaptação a Museu pelo arq. Jorge Segurado (1942-47); as esculturas de 1940 e as de 43-47;  as pinturas murais (decoração, ilustração, museografia), um património ignorado pela história da arte e por identificar; o edifício e a sua decoração - um projecto integrado; o MAP e as suas colecções à luz da antropologia actual.

Raquel Henriques da Silva
Professora de História de Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa

Rui Afonso Santos
Historiador de Arte, Museu do Chiado

Vera Alves
Antropóloga, autora de «Camponeses estetas» no Estado Novo: Arte Popular e Nação na Política Folclorista do Secretariado da Propaganda Nacional.

João Leal
Professor de Antropologia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa

Alexandre Pomar
Jornalista e crítico de arte

Diante de uma decisão ministerial que pretende instalar o Museu da Língua no Museu de Arte Popular, destruindo-o para sempre, uma medida baseada numa imensa ignorância sobre a sua importância e história, propomos uma sessão para ficar a conhecer melhor este Museu. Afinal, por que razão protestamos? 

O Ministro da Cultura será convidado a estar presente.

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O Museu de Arte Popular e a Política do Gosto do SPN

Uma das ideias que acompanhou a política do SPN em torno da arte popular portuguesa foi a da promoção de uma estética simultaneamente moderna e nacional, alargada a várias áreas da vida quotidiana. As artes decorativas em geral e as artes gráficas em particular foram um alvo preferencial da acção de António Ferro e a revista Panorama, criada em 1941, é o testemunho dessa estilização moderna e livre dos motivos do folclore. O Museu de Arte Popular – concebido também como fonte de inspiração para as artistas portugueses -- foi uma peça fundamental dessa política do gosto levada a cabo por Ferro em colaboração com a equipa de pintores-decoradores do Secretariado.  

Neste sentido o Museu de Arte Popular e toda a política etnográfica do SPN/SNI encontra-se já em embrião nos anos 20. Logo em 1921, António Ferro dirigiu a Ilustração Portuguesa, revista que, ao mesmo tempo que defendia a integração de Portugal “na hora que passa”, fazia a promoção de uma estética folclorista na criação de bailados portugueses modernos – uma ideia que só viria a tomar forma com o Verde-Gaio, em 1940. A preocupação de Ferro era então a de construir uma imagem de Portugal enquanto nação moderna, plena de vitalidade no tempo presente, mas mantendo uma identidade distinta de todas as outras nações. Em 1922 as suas convicções foram certamente reforçadas com a sua participação na Semana de Arte Moderna em São Paulo, que reunia um grupo de artistas brasileiros precisamente preocupados em conjugar o moderno com a procura das raízes da cultura brasileira.  

A existência do MAP, acompanhada pela edição da revista Panorama, pela criação do Verde Gaio ou ainda pela edificação das Pousadas de Portugal documenta muito mais do que uma ideologia política própria do Estado Novo. Testemunha um pensamento de raiz modernista que atravessou fronteiras e contagiou intelectuais e artistas como o mexicano Diego Rivera ou os brasileiros Mário de Andrade e Heitor Villa-Lobos.

Vera Marques Alves




Capas de Bernardo Marques para a revista Panorama (números 1, ano 1, 1941 e 8, ano 1, 1942).


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site petitiononline.com em baixo

À beira das 4000 assinaturas, a petição pelo Museu de Arte Popular está neste momento inacessível.  O problema afecta todo o site Petition Online (onde a petição pelo MAP está alojada), e deve-se a um ataque DoS. Esperamos que o problema se resolva brevemente.
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Evitar a Morte do Museu de Arte Popular

O artigo de opinião que João Leal (JL) e Raquel Henriques da Silva (RHS) publicaram em O Público (Março de 2008) sobre o fim anunciado do Museu de Arte Popular (MAP), fala de um museu mal amado. A expressão não podia ser mais apropriada e merece alguma reflexão. A decisão da ex-ministra da Cultura foi o culminar de um processo de negligência e abandono que durava há décadas. E não apenas, como alguns fazem crer, pelo facto do edifício do museu não ter sofrido obras de beneficiação durante largos anos. Os contornos desse abandono são também de ordem museológica e científica: mostrar um museu inaugurado em 1948 pelo SNI (órgão da propaganda do Estado Novo), sem qualquer tipo de contextualização das ideias que presidiram à sua formação, como se o mesmo tivesse acabado de ser concebido, transformou o MAP num lugar algo fantasmagórico.

O museu atraía menos visitantes do que se desejava? É óbvio que sim. Só alguns iniciados, com informação suficiente para reportá-lo à política de uma certa época podia usufruir plenamente do mesmo. A falta de dinâmica transformou-se, pois, numa postura profundamente elitista, deixando a maior parte das pessoas que ali entravam à sua sorte, desprovidas de qualquer ferramenta que as levasse a perceber o que estavam a ver. Poderiam apreciar as peças expostas mas nada lhes dizia o que quer que fosse sobre o que se pretendia mostrar nos anos 40 através daqueles artefactos, nem porque é que eram aquelas objectos e não outros que surgiam em exposição. Porque o que ali estava não era só arte popular e artesanato. Era uma certa visão dos mesmos.

Tal visão não era, contudo, um mero epifenómeno do salazarismo (transcendendo aliás em muito a ideologia do regime); era fruto de um conjunto de circunstâncias históricas que tinham a ver com os percursos da etnografia, não só em Portugal, mas também no resto da Europa (veja-se o livro Etnografias Portuguesas de João Leal); relacionava-se com a construção da imagem dócil do país e do povo subjacente ao projecto de afirmação de Portugal entre os portugueses e face ao mundo que guiava toda a campanha folclorista de António Ferro; tinha, como pano de fundo, uma política de gosto virada para as classes médias da época, estando por isso associada a uma fase determinante das artes decorativas no nosso país; constituía-se como alternativa à celebração da nação apenas através da história. Neste sentido o espaço do museu – a arquitectura do edifício, o seu arranjo decorativo e disposição das peças, as pinturas murais dos pintores modernistas – é essencial para perceber a colecção de objectos que albergava.

Em vez de matar o museu, é de facto altura de, como propõem JL e RHS, musealizá-lo. As possibilidades de exposições temporárias que explorem diferentes dimensões das práticas e representações ligadas ao museu são infindas. Poder-se-á, assim, transformar o Museu de Arte Popular num museu actual, que interesse não apenas aos que procuram apreciar e compreender a arte popular (e sobre este aspecto muito há a dizer), mas também aos que desejam entender a história contemporânea de Portugal. Com arquivos e bibliotecas convenientemente tratados e as colecções estudadas, poderá ser também um excelente local para estudo e investigação. Acabar com ele obedece à mesma lógica subjacente ao abandono dos arquivos históricos durante décadas em armazéns infectos; ao desinvestimento na Biblioteca Nacional; à (não) política de património que deixa emparedar as moradias modernistas construídas nos anos 30 e 40 -- percorra-se as ruas do Estoril que não se vêm a partir da Marginal, para verificá-lo (algumas, aliás, da autoria de Jorge Segurado, o mesmo arquitecto que concebeu o projecto de transformação dos pavilhões da Exposição do Mundo Português no MAP). Aposte-se, pois, na requalificação do MAP e evite-se a sua morte arbitrária.

Vera Marques Alves

Vera Marques Alves, antropóloga, é autora de «Camponeses estetas» no Estado Novo: Arte Popular e Nação na Política Folclorista do Secretariado da Propaganda Nacional, Dissertação de Doutoramento, ISCTE Departamento de Antropologia, Lisboa, 2007
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Depoimento de Rui Afonso Santos

Inaugurado em 1948, o Museu Nacional de Arte Popular constitui a despedida e o testamento espiritual de António Ferro. Director do SNI (Secretariado Nacional de Informação) desde 1933, Ferro desenvolveu à frente deste organismo considerável actividade cultural de índole modernista. Os sucessos como comissário das representações portuguesas enviadas às Exposições Internacionais de Paris (1937), de Nova Iorque e São Francisco (1939), premiadas pela crítica internacional, materializaram-se neste Museu em vias de classificação patrimonial.
Reaproveitando o Pavilhão da Vida Popular riscado pelos arquitectos Veloso Reis e João Simões para a Exposição do Mundo Português de 1940, único pavilhão que resta daquele magno certame (com esculturas e relevos murais exteriores de Barata Feyo, Maria Keil e Henrique Moreira), o edifício recebeu arranjos arquitecturais interiores de Jorge Segurado, design expositivo do próprio Segurado e Tomás de Mello /Tom e legendas de António Ferro, tudo numa qualidade museográfica inédita, absolutamente moderna e, à época, raríssima.
Tornando perenes as soluções decorativas desenvolvidas para as Exposições Internacionais pela equipa de decoradores modernistas (Fred Kradolfer, Bernardo Marques, José Rocha, Carlos Botelho, Thomaz de Mello/Tom, Emmerico Nunes, Paulo Ferreira, Estrela Faria e Eduardo Anahory) que Ferro congregou, o Museu recebeu qualificados frescos murais de Tom, Manuel Lapa, Paulo Ferreira, Estrela Faria e Carlos Botelho, bem como fotografias de Mário e Horácio Novais e de outros fotógrafos modernistas.
As soluções museológicas não se orientaram pelos modelos modernistas norte-americanos que, nos anos 30, o MOMA desenvolveu, mas pelos exemplos europeus modernistas coevos (nomeadamente franceses e alemães) que, em plenos anos 40, declinaram por toda a Europa. Bastaria esse facto para lhe assegurar a maior importância museográfica a nível internacional.

Recorrendo a materiais simples (madeiras, contraplacados, metais), com uma fluidez de espaços e cuidados de iluminação inéditos, o MAP foi o primeiro museu português com uma museologia integralmente moderna e concebida de raiz. O cuidado na apresentação das colecções foi acrescido de um sentido decorativo moderno, cenográfico e festivo que Ferro vinha desenvolvendo desde as suas «Campanhas do Bom Gosto» que lançaram os fundamentos do design contemporâneo em Portugal.
As suas colecções, ainda por estudar, constituem o documento vivo da recolha e também da invenção etnográfica desenvolvida pelo SNI desde os anos 30.
Juntamente com a produção recolhida junto de artesãos e artífices logo a partir de 1933 (barros, têxteis, mobiliário, ourivesaria, cestaria, escultura, vestuário, cutelaria, metais, instrumentos musicais, veículos, modelos de barcos), e apresentada nas exposições de Arte Popular Portuguesa que o SPN/SNI apresentou, com grande sucesso, em Tripoli, Paris, Genebra, Nova Iorque, São Francisco, Sevilha e Madrid, o MAP recolheu igualmente outro tipo de produções: desde logo exemplos de mobiliário e cerâmica que remontam ao século XVIII, e que ajudam a compreender a disseminação das formas da cultura erudita junto das classes populares. Além deles, recolheu também objectos elaborados sob orientação de artistas como Paulo Ferreira junto de artesãos - a colecção de Galos de Barcelos, por exemplo, ilustra bem esta invenção folclórica, apresentando os seus protótipos formas e tipologias bem diversas do modelo iconográfico do Galo Negro fixado nos Anos 50.

Rui Afonso Santos



Sala do Minho - Galos de Barcelos
Copyright: © IMC / MC


Instituição / Proprietário: Museu de Arte Popular
Número de Inventário do Objecto: CER 1805/83
Denominação / Título: Representação zoomórfica - Galo de Barcelos - Barcelos
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Instituição / Proprietário: Museu de Arte Popular
Número de Inventário do Objecto: CER 2629/83
Denominação / Título: Representação zoomórfica - Galo de três pés - Barcelos
Copyright: © IMC / MC

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