museu de arte popular

Avatarfechado em Belém mas aberto aqui

O Museu de Arte Popular e a Política do Gosto do SPN

Uma das ideias que acompanhou a política do SPN em torno da arte popular portuguesa foi a da promoção de uma estética simultaneamente moderna e nacional, alargada a várias áreas da vida quotidiana. As artes decorativas em geral e as artes gráficas em particular foram um alvo preferencial da acção de António Ferro e a revista Panorama, criada em 1941, é o testemunho dessa estilização moderna e livre dos motivos do folclore. O Museu de Arte Popular – concebido também como fonte de inspiração para as artistas portugueses -- foi uma peça fundamental dessa política do gosto levada a cabo por Ferro em colaboração com a equipa de pintores-decoradores do Secretariado.  

Neste sentido o Museu de Arte Popular e toda a política etnográfica do SPN/SNI encontra-se já em embrião nos anos 20. Logo em 1921, António Ferro dirigiu a Ilustração Portuguesa, revista que, ao mesmo tempo que defendia a integração de Portugal “na hora que passa”, fazia a promoção de uma estética folclorista na criação de bailados portugueses modernos – uma ideia que só viria a tomar forma com o Verde-Gaio, em 1940. A preocupação de Ferro era então a de construir uma imagem de Portugal enquanto nação moderna, plena de vitalidade no tempo presente, mas mantendo uma identidade distinta de todas as outras nações. Em 1922 as suas convicções foram certamente reforçadas com a sua participação na Semana de Arte Moderna em São Paulo, que reunia um grupo de artistas brasileiros precisamente preocupados em conjugar o moderno com a procura das raízes da cultura brasileira.  

A existência do MAP, acompanhada pela edição da revista Panorama, pela criação do Verde Gaio ou ainda pela edificação das Pousadas de Portugal documenta muito mais do que uma ideologia política própria do Estado Novo. Testemunha um pensamento de raiz modernista que atravessou fronteiras e contagiou intelectuais e artistas como o mexicano Diego Rivera ou os brasileiros Mário de Andrade e Heitor Villa-Lobos.

Vera Marques Alves




Capas de Bernardo Marques para a revista Panorama (números 1, ano 1, 1941 e 8, ano 1, 1942).


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site petitiononline.com em baixo

À beira das 4000 assinaturas, a petição pelo Museu de Arte Popular está neste momento inacessível.  O problema afecta todo o site Petition Online (onde a petição pelo MAP está alojada), e deve-se a um ataque DoS. Esperamos que o problema se resolva brevemente.
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Evitar a Morte do Museu de Arte Popular

O artigo de opinião que João Leal (JL) e Raquel Henriques da Silva (RHS) publicaram em O Público (Março de 2008) sobre o fim anunciado do Museu de Arte Popular (MAP), fala de um museu mal amado. A expressão não podia ser mais apropriada e merece alguma reflexão. A decisão da ex-ministra da Cultura foi o culminar de um processo de negligência e abandono que durava há décadas. E não apenas, como alguns fazem crer, pelo facto do edifício do museu não ter sofrido obras de beneficiação durante largos anos. Os contornos desse abandono são também de ordem museológica e científica: mostrar um museu inaugurado em 1948 pelo SNI (órgão da propaganda do Estado Novo), sem qualquer tipo de contextualização das ideias que presidiram à sua formação, como se o mesmo tivesse acabado de ser concebido, transformou o MAP num lugar algo fantasmagórico.

O museu atraía menos visitantes do que se desejava? É óbvio que sim. Só alguns iniciados, com informação suficiente para reportá-lo à política de uma certa época podia usufruir plenamente do mesmo. A falta de dinâmica transformou-se, pois, numa postura profundamente elitista, deixando a maior parte das pessoas que ali entravam à sua sorte, desprovidas de qualquer ferramenta que as levasse a perceber o que estavam a ver. Poderiam apreciar as peças expostas mas nada lhes dizia o que quer que fosse sobre o que se pretendia mostrar nos anos 40 através daqueles artefactos, nem porque é que eram aquelas objectos e não outros que surgiam em exposição. Porque o que ali estava não era só arte popular e artesanato. Era uma certa visão dos mesmos.

Tal visão não era, contudo, um mero epifenómeno do salazarismo (transcendendo aliás em muito a ideologia do regime); era fruto de um conjunto de circunstâncias históricas que tinham a ver com os percursos da etnografia, não só em Portugal, mas também no resto da Europa (veja-se o livro Etnografias Portuguesas de João Leal); relacionava-se com a construção da imagem dócil do país e do povo subjacente ao projecto de afirmação de Portugal entre os portugueses e face ao mundo que guiava toda a campanha folclorista de António Ferro; tinha, como pano de fundo, uma política de gosto virada para as classes médias da época, estando por isso associada a uma fase determinante das artes decorativas no nosso país; constituía-se como alternativa à celebração da nação apenas através da história. Neste sentido o espaço do museu – a arquitectura do edifício, o seu arranjo decorativo e disposição das peças, as pinturas murais dos pintores modernistas – é essencial para perceber a colecção de objectos que albergava.

Em vez de matar o museu, é de facto altura de, como propõem JL e RHS, musealizá-lo. As possibilidades de exposições temporárias que explorem diferentes dimensões das práticas e representações ligadas ao museu são infindas. Poder-se-á, assim, transformar o Museu de Arte Popular num museu actual, que interesse não apenas aos que procuram apreciar e compreender a arte popular (e sobre este aspecto muito há a dizer), mas também aos que desejam entender a história contemporânea de Portugal. Com arquivos e bibliotecas convenientemente tratados e as colecções estudadas, poderá ser também um excelente local para estudo e investigação. Acabar com ele obedece à mesma lógica subjacente ao abandono dos arquivos históricos durante décadas em armazéns infectos; ao desinvestimento na Biblioteca Nacional; à (não) política de património que deixa emparedar as moradias modernistas construídas nos anos 30 e 40 -- percorra-se as ruas do Estoril que não se vêm a partir da Marginal, para verificá-lo (algumas, aliás, da autoria de Jorge Segurado, o mesmo arquitecto que concebeu o projecto de transformação dos pavilhões da Exposição do Mundo Português no MAP). Aposte-se, pois, na requalificação do MAP e evite-se a sua morte arbitrária.

Vera Marques Alves

Vera Marques Alves, antropóloga, é autora de «Camponeses estetas» no Estado Novo: Arte Popular e Nação na Política Folclorista do Secretariado da Propaganda Nacional, Dissertação de Doutoramento, ISCTE Departamento de Antropologia, Lisboa, 2007
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Depoimento de Rui Afonso Santos

Inaugurado em 1948, o Museu Nacional de Arte Popular constitui a despedida e o testamento espiritual de António Ferro. Director do SNI (Secretariado Nacional de Informação) desde 1933, Ferro desenvolveu à frente deste organismo considerável actividade cultural de índole modernista. Os sucessos como comissário das representações portuguesas enviadas às Exposições Internacionais de Paris (1937), de Nova Iorque e São Francisco (1939), premiadas pela crítica internacional, materializaram-se neste Museu em vias de classificação patrimonial.
Reaproveitando o Pavilhão da Vida Popular riscado pelos arquitectos Veloso Reis e João Simões para a Exposição do Mundo Português de 1940, único pavilhão que resta daquele magno certame (com esculturas e relevos murais exteriores de Barata Feyo, Maria Keil e Henrique Moreira), o edifício recebeu arranjos arquitecturais interiores de Jorge Segurado, design expositivo do próprio Segurado e Tomás de Mello /Tom e legendas de António Ferro, tudo numa qualidade museográfica inédita, absolutamente moderna e, à época, raríssima.
Tornando perenes as soluções decorativas desenvolvidas para as Exposições Internacionais pela equipa de decoradores modernistas (Fred Kradolfer, Bernardo Marques, José Rocha, Carlos Botelho, Thomaz de Mello/Tom, Emmerico Nunes, Paulo Ferreira, Estrela Faria e Eduardo Anahory) que Ferro congregou, o Museu recebeu qualificados frescos murais de Tom, Manuel Lapa, Paulo Ferreira, Estrela Faria e Carlos Botelho, bem como fotografias de Mário e Horácio Novais e de outros fotógrafos modernistas.
As soluções museológicas não se orientaram pelos modelos modernistas norte-americanos que, nos anos 30, o MOMA desenvolveu, mas pelos exemplos europeus modernistas coevos (nomeadamente franceses e alemães) que, em plenos anos 40, declinaram por toda a Europa. Bastaria esse facto para lhe assegurar a maior importância museográfica a nível internacional.

Recorrendo a materiais simples (madeiras, contraplacados, metais), com uma fluidez de espaços e cuidados de iluminação inéditos, o MAP foi o primeiro museu português com uma museologia integralmente moderna e concebida de raiz. O cuidado na apresentação das colecções foi acrescido de um sentido decorativo moderno, cenográfico e festivo que Ferro vinha desenvolvendo desde as suas «Campanhas do Bom Gosto» que lançaram os fundamentos do design contemporâneo em Portugal.
As suas colecções, ainda por estudar, constituem o documento vivo da recolha e também da invenção etnográfica desenvolvida pelo SNI desde os anos 30.
Juntamente com a produção recolhida junto de artesãos e artífices logo a partir de 1933 (barros, têxteis, mobiliário, ourivesaria, cestaria, escultura, vestuário, cutelaria, metais, instrumentos musicais, veículos, modelos de barcos), e apresentada nas exposições de Arte Popular Portuguesa que o SPN/SNI apresentou, com grande sucesso, em Tripoli, Paris, Genebra, Nova Iorque, São Francisco, Sevilha e Madrid, o MAP recolheu igualmente outro tipo de produções: desde logo exemplos de mobiliário e cerâmica que remontam ao século XVIII, e que ajudam a compreender a disseminação das formas da cultura erudita junto das classes populares. Além deles, recolheu também objectos elaborados sob orientação de artistas como Paulo Ferreira junto de artesãos - a colecção de Galos de Barcelos, por exemplo, ilustra bem esta invenção folclórica, apresentando os seus protótipos formas e tipologias bem diversas do modelo iconográfico do Galo Negro fixado nos Anos 50.

Rui Afonso Santos



Sala do Minho - Galos de Barcelos
Copyright: © IMC / MC


Instituição / Proprietário: Museu de Arte Popular
Número de Inventário do Objecto: CER 1805/83
Denominação / Título: Representação zoomórfica - Galo de Barcelos - Barcelos
Copyright:© IMC / MC


Instituição / Proprietário: Museu de Arte Popular
Número de Inventário do Objecto: CER 2629/83
Denominação / Título: Representação zoomórfica - Galo de três pés - Barcelos
Copyright: © IMC / MC

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O MAP no Inventário do Património do IPPAR

O edifício do Museu de Arte Popular teve no inventário do património do IPPAR divulgado na net uma extensa ficha de identificação, descrição e registo histórico muito mais completa e informativa do que aquela que é agora acessível no site dos mesmos serviços, em vias de integração no actual Igespar.

A versão resumida, que agora se pode ler aqui, é já posterior a 2007 e à "Revogação do Despacho de 12 de Novembro de 1991 que Determinou a Abertura do Processo de Instrução Relativo à Eventual Classificação do Museu de Arte Popular, por Despacho de 28-11-2007 do Director do Igespar".

Note-se que agora se omite a referência ao arquitecto Jorge Segurado, que readaptou o pavilhão de 1940 para a Exposição do Mundo Português para que nele se instalasse em condições definitivas o Museu de Arte Popular, anunciado em 1944 e inaugurado em 1948. A omissão tem especial gravidade por não distinguir entre a configuração arquitectónica do edifício em 1940, no seu exterior e no interior, e o que foi a sua modificação mais ou menos notória entre 1943 e 47. De facto, é esse estado final e actual do edifício (com as suas posteriores alterações) que se encontra salvaguardado pela ZEP e não qualquer "traça primitiva" de 1940.
Outra omissão relevante respeita aos processos de obras que o edifício atravessou, e especialmente as que se iniciaram em 2000, ao abrigo do POC, com vista à reabilitação das instalações do Museu de Arte Popular.

Antes da
"Revogação do Despacho de 12 de Novembro de 1991 que Determinou a Abertura do Processo de Instrução Relativo à Eventual Classificação do Museu de Arte Popular" - por Despacho de 28-11-2007 do Director do Igespar - era assim:
PATRIMÓNIO
Protecção
Em vias de classificação; incluído na Zona Especial de Protecção do Mosteiro de Santa Maria de Belém (v. PT031106320005)

Enquadramento
Urbano, destacado, isolado, implantado em plataforma costeira, junto ao Rio Tejo entre as docas de Belém e de Bom Sucesso. A N., separado pela estrada e linha férrea de Cascais, o Centro Cultural de Belém (v. PT031106320402). A O., os edifícios da Defesa Marítima e a E. o Espelho de Água (v. PT03110320601) e o Padrão dos Descobrimentos (v. PT031106320600).

Descrição
De planta irregular, em L, composta pela articulação de vários corpos de planta rectangular e quadrada, o edifício apresenta volumetria escalonada, sendo a cobertura efectuada por telhados a 4 águas e em terraço. A organização dos volumes acentua a sua distribuição horizontal, e caracteriza-se genericamente por corpos de duplo pé direito, com caixa murária em reboco pintado com roda-pé em tijolo, e abertura a ritmo irregular de janelões estreitos rectangulares, dispostos em agrupamentos.
O alçado principal a N. é constituído por 5 corpos interligados entre si. Distingue-se a O., corpo mais elevado de secção quadrada, que se assemelha a uma torre sineira, apresentando, a preceder a cobertura, 1 janela de peito por alçado. A eixo e num corpo reentrante relativamente aos 2 corpos que o ladeiam (situados no mesmo plano), identifica-se o acesso principal ao interior do edifício: 3 arcos de volta perfeita, perfurados ao nível do piso térreo por vãos de verga recta, e preenchidos superiormente por material cerâmico disposto de forma padronal.
Ao corpo intermédio a O., flanqueado pelo acesso e pela torre, adossa-lhe um corpo rectangular que actua como pátio interior; localizado num plano avançado relativamente aos corpos descritos, podem observar-se alçados com abertura de arcaria em volta perfeita. Identifica-se ainda na parte posterior do corpo a E., caixa murária sobrelevada, revestida de material cerâmico, correspondente a um outro módulo do edifício.

Nos alçados laterais, destaca-se a integração de painéis escultóricos com representações em baixo e médio relevo de várias actividades rurais.

Com acesso através de átrio amplo, os espaços definidos pela volumetria exterior, articulam-se entre si no interior, através de corredores, e correspondem a diferentes zonas temáticas do Museu, em cuja componente ornamental se destacam obras de pintura e escultura aplicadas à arquitectura da autoria de Fred Kradolfer, D. Tomaz de Melo (Tom), Bernardo Marques, Carlos Botelho, Emmérico Nunes, José Rocha, Estrela Faria, Paulo Ferreira e Eduardo Anahory. (*)

Arquitecto Construtor Autor
ARQUITECTOS: António Maria Veloso Reis Camelo (1899 - 1985) e João Simões (n. 1908) / Arq. Jorge de Almeida Segurado ( 1898-1990 ), adaptação a museu anos 40;
ESCULTORES / PINTORES: Fred Kradolfer, D. Tomaz de Melo (Tom), Bernardo Marques, Carlos Botelho, Emmérico Nunes, José Rocha, Estrela Faria, Paulo Ferreira e Eduardo Anahory. (*)

Cronologia
1940 - inauguração do edifício integrado no conjunto construído para a Exposição do Mundo Português de 1940, integrando a Secção da Vida Popular, organizada pelo Secretariado da Propaganda Nacional, aquela Secção de Vida Popular possuía 3 pavilhões ligados entre si recorrendo ao folclore como veículo do nacionalismo português, considerando os brandos costumes e o Estado Novo como factores de paz e refúgio;

1941- concurso público lançado pela Comissão Administrativa do Plano de Obras da Praça do Império e da Zona Marginal de Belém, para adjudicação da empreitada de adaptação e modificação dos Pavilhões da Secção Etnográfica Metropolitana a Museu de Arte Popular, sendo lançadas sucessivas empreitadas (**); o acervo do museu, basicamente do séc. 20, baseia-se na recolha de peças para a Exposição de Arte Popular Portuguesa, apresentada em Genebra, em 1935;

1948 - inauguração do Museu após uma adaptação às novas exigências funcionais, com algumas alterações construtivas, em particular nas fundações e paredes exteriores, considerando 5 salas representando as regiões de Entre-Douro e Minho, Trás-os-Montes, Beiras, Estremadura, Alentejo, Ribatejo e Algarve;

1970 (década de) - desse conjunto de edifícios, também designados por secção Etnográfica Metropolitana foram demolidos corpos a Poente onde se inseria a torre farol, que subsiste ainda hoje a SW, isolada;

1991 - por despacho datado de 12 de Dezembro foi determinada a abertura do processo de classificação do imóvel;

1995 - inauguração da Sala de Exposições Temporárias.

Tipologia
Arquitectura civil educativa e cultural, do Estado Novo - pavilhão de exposição / museu.

Características Particulares
De volumetria agarrada ao terreno possui uma gramática arquitectónica e decorativa de influência historicista e popular com grande unidade e simplicidade na composição das suas fachadas. O edifício do Museu constitui hoje um dos objectos memória e simbólicos da Exposição do Mundo Português de 1940, onde como Pavilhão Expositor de carácter efémero e cenográfico integrava a Secção de Vida Popular. As obras a que foi sujeito para museu, não alteraram o seu carácter.

Dados Técnicos
Paredes autoportantes

Materiais
Alvenaria mista ( tijolo na sua maioria ), reboco pintado, cantaria de calcário, estuque, ferro forjado

Intervenção Realizada
DGEMN:

1941/1948 - estudo de consolidação; substituição das fundações das paredes com 0.40 x 0.50m por alvenaria de pedra rija; no solo uso complementar de estacas betonadas com comprimento médio de 3.00 m: 2 estacas na periferia e no eixo da fundação das paredes, 4 estacas nos cunhais das paredes, 1 estaca intermédia no eixo da fundação das paredes com 5.00m de distância entre montantes e intervenção ao nível das paredes exteriores, para remodelação para a nova função;
1950, Janeiro - Reparação do tecto e telhados do claustro: levantamento da cobertura, substituição dos madeiramentos, arranjo dos beirados e tectos, nova cobertura em telha portuguesa, tectos de madeira e estafe e pintura a óleo das madeiras;

1985 - reparação da cobertura e dos esgotos na zona denominada dos claustros;

1995 - obras de recuperação; inauguração de uma sala para exposições temporárias;

2000 / 2003 - Projecto de reabilitação - 1º fase ( MAP - salas das Beiras, Ribatejo, Estremadura e Alentejo ): demolição das esteiras, instalação da rede eléctrica, protecção de pinturas murais e do espólio museológico; renovação das coberturas; drenagem dos pavimentos térreos, drenagem periférica, pré-instalação de redes eléctricas e de detecção de segurança, reabilitação das instalações sanitárias; Aplicação de tijoleira, recuperação e tratamento de paredes; recuperação das carpintarias das escadas e galeria; Protecção de pinturas murais nas salas Algarve, Pátio, Trás-os-Montes e Entre-Douro e Minho; Acondicionamento e transporte das peças museológicas das Salas do Átrio, Trás-os-Montes, Entre- Douro e Minho para as Salas das Beiras e Alentejo; Recuperação de vãos interiores e exteriores ( portas e janelas); recuperação de gradeamentos ( exteriores ); Restauro de equipamento de expositores ( madeira, vidros ); colocação de todo o equipamento sanitário; colocação de estores interiores tipo sol-screen; pintura de paredes interiores; instalação de rede de segurança ( Incêndio e Introsão );

2004, Setembro - Projecto de Reabilitação - 2ª fase (Espaço da Recepção, Salas Entre-Douro e Minho, Trás-os-Montes, dos Carros e do Algarve): Reabilitação e recuperação das coberturas e suas estruturas correspondentes aos espaços da Recepção e das salas de Entre-Douro-e-Minho, Trás-os-Montes, Algarve e dos Carros, optando-se por painéis sandwich de estrutura semelhante à cobertura jà reabilitada, contemplando a execução de caleiras, o capeamento das empenas e dos muretes a chapa de zinco nº 12 com juntas agrafadas e a colocação de tubos de queda das águas pluviais e respectivos capitéis em cobre, com secção de 80 x 120mm, em cor natural, que se tornará acastanhada com o tempo, e mangas protectoras até à altura dos socos das fachadas; execução de escada interior em aço galvanizado, de acesso às coberturas pela Torre, e de 5 escadas exteriores de articulação e acesso entre as coberturas das diversas salas, do mesmo material; defenição das grelhas metálicas, alçapões, guarda pés e guardas de protecção laterais dos passadiços do Tipo 1 e 2, de visita aos plenos da cobertura, do projecto de estruturas; execução de uma rede de Iluminação e de detecção de incêndios junto à cobertura de apoio ao respectivo pleno ( em fase posterior será integrada uma 2º rede nos tectos falsos ); construção provisória de um túnel de acesso às respectivas instalações devidamente protegido; protecção dos frescos nas Salas da Recepção e do Algarve de modo semelhante ao executado na 1ª fase das obras; protecção do mobiliário fixo nas Salas de Recepção e Entre-Douro-e-Minho, de modo semelhante ao executado na 1ª fase das obras.


(*) Esta lista de pintores decoradores indicada pelo Ippar corresponde ao registo dos colaboradores da Exposição do Mundo Português em 1940, nos Pavilhões da Vida Popular. Essas foram decorações efémeras para um pavilhão temporário, e só alguns dos anteriores decoradores foram chamados na seguinte fase de obras que se iniciou em 1942 e se encerrou em 1948 com a inauguração do Museu de Arte Popular. D. Tomaz de Melo (Tom) orientou a equipa de pintores de 1947-48 em que participaram comprovadamente Carlos Botelho, Estrela Faria, Paulo Ferreira, Eduardo Anahory e o muito presente Manuel Lapa. Mas já não Fred Kradolfer, Bernardo Marques, Emmérico Nunes e José Rocha, tanto quanto agora se conheced. Este erro, que tem origem no volume comemorativo editado já em 1956 - Mundo Português. Imagens de uma Exposição Histórica, 1940 - foi muitas vezes repetido.
Essa mesma lista omite os escultores, que foram Barata Feyo e Henrique Moreira, em 1940, mais Júlio de Sousa em 1943-48, além da fonte decorativa com elefantes que foi desenhada por Cottineli Telmo em 1942, da junta de bois que aí permanece (projecto de 1943) e de 9 bonecos decorativos da autoria de Maria Keil, entretanto desaparecidos.

Sobre as esculturas decorativas encomendadas para o Museu de Arte Popular (1942-48)
ver,
Helena Elias, "A EMERGÊNCIA DE UM ESPAÇO DE REPRESENTAÇÃO: ARTE PÚBLICA E TRANSFORMAÇÕES URBANAS NA ZONA RIBEIRINHA DE
BELÉM", in On the W@terfront nº 6, sep. 2004, publicación online del Centre de Recerca Polis de la Universitat de Barcelona - http://www.ub.edu/escult/Water/waterf_06/W06_03.pdf
(consultado em 2009.Junho.10)

Alexandre Pomar


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António Pinto Ribeiro sobre a política cultural em Portugal

(...) o Ministério da Cultura deve ser uma organização de gestão cultural diversificada que não pode ser colapsada por iniciativas paralelas como, por exemplo, as que têm sido tomadas pelo Ministério da Economia, para todos os efeitos um ministério por vezes contra a Cultura.
Do mesmo modo que a conservação do património (é sempre mais correcto designar como herança cultural) não se pode reduzir à conservação dos castelos ou a declarações em abstracto. No caso concreto, um exemplo da conservação da herança cultural será a conservação e activação concreta do Museu de Arte Popular.

Excerto do artigo de opinião Cultura e governação de António Pinto Ribeiro no Público de Hoje.


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A tentação pós-ditatorial de reescrever o passado...

... ou a raiva serôdia sobre o Museu de Arte Popular

(...)

Ainda que a ditadura salazarista e o seu estertor marcelista possam servir de caução às perversidades que hoje impunemente se assistem no nosso regime democrático, Portugal existiu antes do 25 de Abril de 1974 e, ao contrário do que determinam os manuais escolares, o nosso País não foi só uma revista do Parque Mayer dedicada a Fátima, ao futebol e ao fado, ou mesmo somente um quotidiano de pides a perseguir revolucionários. Portugal também existiu para além da guerra colonial e da emigração em massa. Existiam jovens, existia criatividade e, apesar das dificuldades e do risco, havia confronto de ideias. Em particular, durante a Segunda Grande Guerra, o nosso País viveu um período artístico marcante e de expressão internacional. Não isento de críticas e contradições, é certo. Com injustiças e perseguições, também não é menos verdadeiro, mas, ao contrário de hoje, com uma intensa produção artística e cultural apoiada pelo Estado. Mesmo agora não é possível compreender o modernismo em Portugal, o surgimento de correntes de ruptura e de inovação artística que se rebelaram contra os padrões hegemónicos da estética da ditadura se não conhecermos a produção artística e cultural do “Estado Novo”, se não conhecermos as suas escolas, os seus mestres e, sobretudo, as suas obras.

Vem esta reflexão a propósito da resolução serôdia do Conselho de Ministros, do passado dia 7 de Maio, de querer reconverter o Museu de Arte Popular, em Lisboa, em Belém junto ao Padrão dos Descobrimentos, no denominado Museu da Língua. Insurgimo-nos não contra esta iniciativa - venha daí o museu da nossa tão maltratada Língua! – mas sim contra essa absurda decisão de separar o espólio dedicado às artes e ofícios portuguesas do edifício que lhe foi especialmente dedicado, o único que restou, da célebre do da Exposição do Mundo Português de 1940. Para lá do testemunho arquitectónico de uma época e de uma tipologia de conceitos artísticos que nos ajudam a compreender a História, o edifício desde que foi encerrado em 2004 conserva ainda no seu interior um conjunto vasto de pinturas murais de Thomaz de Melo (Tom) e de vários outros artistas plásticos que coordenou, como Carlos Botelho, Eduardo Anahory, Estrela Faria, Paulo Ferreira e os escultores Barata Feyo e Henrique Moreira.

Voluntária, ou talvez não, com esta atitude o governo da república impõe através dos terrenos da museologia uma outra “nova” Política do Espírito condenável a todos os títulos, não só porque se trata de uma grosseira tentativa de querer reescrever a História, ao dar o triste exemplo aos cidadãos da desqualificação e abandono de uma parte do rico património cultural e artístico português e do apagamento de um modelo de memória vernacular e rural, mas, sobretudo, pela antinomia arrogante de querer impor aos vindouros que Portugal não existiu numa boa parte do século XX.

Artigo de Miguel Bandeira, Professor na Universidade do Minho, publicado no Jornal da Associação Académica da Universidade do Minho (20 de Maio de 2009). Ler na íntegra.


Pintura mural (certamente) de Eduardo Anahory (sala de Trás-os-Montes).

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