museu de arte popular

Avatarfechado em Belém mas aberto aqui

A opinião de António Gomes de Pinho

Em 2006, o Ministério da Cultura despejou o Museu de Arte Popular que havia em Lisboa. Devíamos então ter um museu para estes artistas?

Olhe...devíamos ter. É uma grande lacuna e infelizmente destruiu-se o único museu que havia sem ter criado nenhuma alternativa. Foi um erro cultural. Portugal deve ter um museu em que a arte popular se confronte com outras expressões e que tenha uma dignidade própria. Não se trata de ter um museu de tipo popularucho ou de exaltação passada. Mas de um museu onde estes artistas, que não são menos artistas do que os outros, se possam exprimir.

António Gomes de Pinho, em entrevista à Visão. Ler o texto na íntegra.


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O Museu de Arte Popular na blogosfera


A Esquina do Rio, por Manuel Falcão.

Museu de Arte Popular, por Paulo Ferrero.

Museu de Arte Popular: defender as pinturas murais, por Alexandre Pomar.






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Informações sobre a luta em defesa do MAP e os novos passos a dar

A opinião e as propostas de Alexandre Pomar:

1. A acção contra a extinção do Museu de Arte Popular que decorreu durante a tarde de 16 de Maio atraiu a Belém centenas de pessoas mobilizadas pela palavra de ordem A língua de fora. Pelo Museu de Arte Popular, bordar, bordar! e deve ser considerada como um êxito, tanto mais que foi convocada com uma antecedência mínima. As notícias sobre esta iniciativa transmitidas na comunicação social (imprensa e tv) e também através dos blogs e outra redes sociais dominaram a informação sobre o Dia dos Museus.
O Lenço de Namorados bordado na ocasião irá ser em breve entregue a quem pode ainda tomar decisões, no topo da hierarquia do Governo, a respeito do absurdo confronto de intenções sobre a Arte Popular e a Língua Portuguesa.

2. Na mesa-redonda que no dia 19 de Maio reuniu oito directores de museus da zona de Belém no auditório do Museu Colecção Berardo, por iniciativa da comissão nacional do Conselho Internacional de Museus (ICOM), o Museu de Arte Popular não pôde estar representado, por ausência de uma direcção em funções, embora se tenham manifestado algumas vozes em sua defesa. Foi aí considerada a necessidade de definir uma estratégia coordenada para aproveitar as potencialidades de uma área da cidade visitada por milhares de turistas nacionais e estrangeiros, mas nenhuma decisão comum foi aprovada, nomeadamente quanto à salvaguarda do MAP.

3. Importa agora considerar quais são os próximos passos a dar na luta pela defesa do MAP, pela conservação do seu edifício e pela reabilitação-requalificação do seu programa museológico, num contexto marcado por manifestas urgências eleitorais. A todo o momento podemos ser surpreendidos com a colocação de painéis promocionais da chamada Frente Tejo e do anunciado Museu da Língua sobre os muros do velho edifício de Belém, que foi sujeito a obras de beneficiação ao longo de vários anos, com financiamento europeu, destinadas a reabilitar o espaço do Museu que aí está instalado desde 1948. Mas também já sabemos, de uma longa experiência de vida com diferentes governos, que o que um dia se anuncia no outro se esquece, ou anuncia outra vez, ou se anuncia outra coisa. A derrota do chamado Museu Mar da Língua Portuguesa, anunciado em 2006 para o mesmo local, esquecido em 2008, antes de ressuscitar agora em novas roupagens, autoriza-nos a não baixar os braços.

4. Não sabemos ainda o que aprovou o Conselho de Ministros de 7 de Maio a respeito do MAP, para lá de uma intenção genérica de transformar o antigo edifício “num inovador e contemporâneo espaço multimédia e centro privilegiado de promoção da língua portuguesa”, sob a designação Museu da Língua Portuguesa e com instalação a cargo da Sociedade Frente Tejo, S.A., graças a dinheiros oriundos do Casino de Lisboa.
Sabe-se, entretanto, que um plano ou ante-projecto arquitectónico para a transformação do edifício foi encomendado ao atelier ARX Portugal Arquitectos de Nuno Mateus e José Mateus, ao mesmo tempo que um plano de concepção de conteúdos e meios multimédia foi contratado com a empresa YDreams e, ao que se julga, também com a empresa de humorismo Produções Fictícias. As encomendas – que estarão assim a ser directamente negociadas com empresas que sabemos serem muito qualificadas – são certamente da iniciativa da Frente Tejo e não do Instituto dos Museus e Conservação (IMC), entidade passiva em toda esta intriga. De facto, os ante-projectos referidos vêm substituir os anteriores planos para o Museu Mar da Língua que tinham sido desenvolvidos pelo arquitecto Júlio de Matos e por uma equipa dirigida pelo professor Ivo Castro, divulgados em 2007 pela então ministra da Cultura e desde então acessíveis no Portal do Governo (aqui).

5. Entretanto, é provável que o Conselho de Ministros de 7 de Maio nada tenha formalizado de modo consequente, porque o Governo terá de ponderar demoradamente as complexas alterações legais relativas à extinçao de um museu e à criação de outro, que não se sabe se se situará dentro ou fora da tutela do IMC, bem como as implicações da protecção do edifício do MAP (a “caixa” arquitectónica e as pinturas interiores) decorrentes da sua inclusão na Zona Especial de Protecção do conjunto monumental de Belém, Mosteiro dos Jerónimos. A alienação do edifício do MAP a favor de outra entidade particular ou de dupla tutela pode ter implicações significativas quanto ao património do Estado; por outro lado ainda, o financiamente comunitário das obras de requalificação do MAP, aprovadas expressamente para esse efeito ao abrigo do Programa Operacional da Cultura (POC), pode vir a justificar uma condenação do Estado Português à devolução das verbas recebidas. A política do facto consumado não será aplicável neste caso.

6. Para além de outras acções em curso por parte dos que defendem a manutenção do MAP, através da divulgação de estudos técnicos e tomadas de posição de especialistas nas áreas da arquitectura, do património edificado, da museologia, da etnologia, etc; para lá das iniciativas de um abaixo-assinado e de pedidos de audiências oficiais, importa agora conhecer as condições jurídicas deste nebuloso e controverso caso, no sentido de se avaliar rapidamente a possibilidade de uma providência cautelar contra a destruição do Museu de Arte Popular e a ocultação dos elementos de decoração modernista do respectivo edifício. Todas as colaborações são preciosas.
Entretanto, no actual momento político marcado pela iminência de eleições legislativas e autárquicas, impõe-se exigir por todos os meios a suspensão de qualquer acção irreversível quanto à sobrevivência do MAP e do seu edifício, travando uma pressa e uma leviandade decisória que parecem ser acima de tudo efeitos de um voluntarismo propangandístico sujeito ao calendário eleitoral. A Cultura e os Museus em particular impõem outros ritmos.


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A Língua de fora, já!



por Cláudia Varejão
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Quatro medidas para ultrapassar o imbróglio do novo Museu dos Coches e fazer dele uma oportunidade de futuro

As propostas de Luís Raposo e Raquel Henriques da Silva, a propósito da mesa redonda de amanhã (Museus de Belém. Perspectivas de Futuro):
Levantamento do parque museológico e monumental da zona de Belém (da Torre de Belém à Cordoaria Nacional), detectando virtualidades, abandonos, eventuais lacunas e elaborando um plano integrado de valorização de cada peça e do conjunto;
 
Em relação ao conjunto, adopção de medidas potenciadoras dos circuitos integrados, em domínios tais como percursos pedonais, bilheterias comuns, programação, promoção e merchandising articulados, parqueamentos de viaturas, navette de ligação gratuita, mediante a apresentação de títulos de entrada em museus ou monumentos;
 
Em relação a peças individuais:
 
Reabertura do Museu de Arte Popular no seu lugar próprio, devidamente modernizado, mas respeitando a colecção e o conceito original;
Dinamização do Museu Nacional de Etnologia, promovendo o acesso ao mesmo pela sua inclusão na rede assim definida;
Ampliação do Museu de Marinha em dois sentidos: para os terrenos disponíveis a poente das instalações actuais e para a Cordoaria Nacional, onde deverão também ser colocados o Arquivos Histórico e a Biblioteca Central de Marinha, retirando-a dos Jerónimos e demolindo o edifício onde se situa, o qual constitui um verdadeiro atentado ao espírito daquele lugar;
Ampliação do Museu Nacional de Arqueologia no Mosteiro dos Jerónimos, retomando os projectos já existentes para o efeito e adaptando-os agora às possibilidades que se abririam com a transferência para a Cordoaria Nacional da Biblioteca Central de Marinha e, eventualmente, de algumas áreas ocupadas presentemente pelo Museu de Marinha;
Manutenção do conjunto mais emblemático de coches nas instalações actuais do Museu Nacional dos Coches, iniciando imediatamente um programa urgente do seu restauro;
Criação na Cordoaria Nacional de um centro museológico industrial-naval e de arqueologia subaquática, explorando as ligações ao rio Tejo, onde, em posição fronteira, deverá ser criada um cais para acostagem e visita a navios históricos, em ligação com o referido núcleo museológico;
 
Finalmente, quanto à intenção de construção de um novo Museu Nacional dos Coches, no caso de não ser considerada possível a sua total reversibilidade (o que idealmente mantemos como desejável) e dando por adquirido nas suas linhas gerais o projecto de arquitectura já existente, adopção das seguintes medidas:
 
Afectação ao Museu Nacional dos Coches, para instalação de serviços e ampliação dos espaços expositivos, da construção anexa ao edifício principal, situada em frente do referido Museu;
Instalação no edifico principal de um novo museu, cuja necessidade se faça sentir depois do levantamento indicado no ponto 1. Os critérios de escolha para o efeito deverão privilegiar conteúdos susceptíveis de constituírem uma poderosa mais-valia para a promoção dos fluxos turísticos (nacionais e internacionais) na zona de Belém, servidos por tecnologia de última geração e não tanto por colecções patrimoniais intrinsecamente únicas. Entre outras possíveis ideias, avançamos desde já com a de um Museu da Viagem, capaz de evocar a diáspora portuguesa em toda a sua extensão temporal, nomeadamente deste a chamada Epopeia dos Descobrimentos (colocando em relevo os aspectos antropológicos do contacto com o “outro” e a dimensão técnica e científica da época) até à gesta das viagens da emigração dos séculos XIX e XX.
 
Luís Raposo
Raquel Henriques da Silva


(imagens do Arquivo Fotográfico da CML)
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O dia do museu Fechado

Público, 17 de Maio de 2009

Hoje, vou bordar. Não sei bordar grandemente mas não faz mal. Vou aprender com quem souber fazê-lo, eu e todos aqueles que se juntarem a este lavor de protesto que hoje à tarde acontecerá diante das portas fechadas do Museu de Arte Popular, em Belém. Vamos bordar um Lenço dos Namorados em versão gigante declarando a nossa estima por este museu que, mais uma vez, permanecerá fechado na data em que todos os outros comemoram o Dia Mundial dos Museus. 

Desde 2006, diversas pessoas de vários quadrantes políticos ou até sem quadrante nenhum escreveram, em nome individual, sobre a decisão de encerramento do Museu. Mas, até hoje, nenhum partido se pronunciou sobre a questão. Eu pensava que os partidos também serviam para interrogar decisões políticas e arbitrárias deste tipo mas, pelos vistos, enganei-me. Até a Papa Maizena parece ter aos olhos partidários maior relevância que a destruição de um Museu único no panorama museológico português. E, no entanto, há aqui mais do que uma questão a merecer atenção, como o facto de as obras de conservação das fundações e cobertura do edifício, já terminadas, terem sido custeadas com dinheiros comunitários atribuídos para a recuperação do MAP – e, afinal, era tudo mentira. Se este é o exemplo do Estado, há legitimidade para todos os privados que concorrem aos QRENs e similares desviarem os fundos que recebem para o que entretanto lhes ocorrer?

 A verdade é que o MAP é um museu incómodo para muita gente, de esquerda e de direita. Mas faço minhas as palavras recentes e certeiras de Sara Figueiredo Costa no seu blogue www.cadeiraovoltaire.wordpress.com: (…) a cultura e o património não arrastam o seu contexto histórico como se de uma praga alastrável ao presente se tratasse. Sabemos que a Exposição do Mundo Português se realizou durante a ditadura de Salazar, mas se isso é suficiente para se destruir um Museu que não se dedica à ditadura de Salazar e sim à produção, ao imaginário e às vivências de um país, então destruamos tudo o que se ergueu durante os anos negros do fascismo. Será isso solução para lidarmos com a nossa memória colectiva?”. Muito pelo contrário, também eu acredito que “(…) o facto de o MAP ser o resultado de uma ideologia que repudiamos não só não pode justificar a sua destruição como pode ser um elemento fundamental para se estudar e compreender o período em que foi construído”. 

Face ao silêncio dos partidos que nos representam e diante da ausência de justificações do Estado, em quem deveríamos confiar para preservar a nossa história e património, resta-nos a nós, cidadãos, agirmos. Por isso, vamos pegar em agulhas e picá-los. Bordando quadras de amor popular a um Museu do qual, imagine-se, gostamos. 

Catarina Portas



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A Língua de fora, já!



Fotografias de Patrícia Simões.

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